Um Amor Insondável e Encantador

0

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! (Rm 11.33)

Se Deus tem parecido entediante ou comum para você, pode ser porque você se esqueceu de como desvendar e descobrir mais dele – em sua palavra, em sua criação, em sua própria vida.

Uma das grandes e trágicas consequências do pecado é que ele coloca um véu sobre sua bondade, seja por um momento de fraqueza ou ao longo de uma vida inteira de rebelião. Mesmo depois de nascermos de novo – novo coração, novos olhos, novo Espírito cheio de apreciação pela beleza, sabedoria e poder de Deus – Satanás faz tudo o que pode para nos distrair dessa glória, para nos convencer de que Deus é realmente sem graça, simples, pouco inspirador, sem cor. E por causa de suas mentiras, muitos de nós tememos silenciosamente o céu, esperando qualquer futuro que não seja de adoração sem fim.

Ai de nós, porém, se preferirmos os prazeres desse mundo àquilo que é reservado para os que colocam sua esperança em Deus. E ai de nós se Deus parece entediante em contraste com as bençãos, aventuras e relacionamentos dessa vida. Sua bondade percorre e entrelaça tudo o que amamos aqui na terra, revelando sua beleza vasta e vibrante.

Muitos de nós simplesmente não conseguem entender um Deus que nunca muda e, ainda assim, sempre nos surpreende e nos satisfaz. E, mesmo sem mudar, ele sempre nos surpreenderá.

Ó, as profundezas de Deus

Depois que o Apóstolo Paulo termina de explicar o inexplicável, os propósitos soberanos de Deus em escolher e salvar quem ele quer escolher e salvar, ele levanta os braços em humildade e admiração:

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! “Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?” Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Rm 11.33-36)

O Deus desses versos é simplesmente incapaz de nos entediar. Insondável, inescrutável, indescritível, ele supera todas nossas simples, pequenas e míopes expectativas de beleza e prazer. Se estamos entediados com Deus, nossos corações se esfriaram por causa das nossas próprias fraquezas, não por qualquer deficiência ou limitação nele – porque não há nenhuma.

Ele sabe tudo o que há para saber, em todos os tempos e em toda a história, sobre tudo e todos, incluindo você. Sua sabedoria desvenda toda e qualquer decisão e problema com julgamento perfeito, justiça perfeita, misericórdia incomparável e facilidade infinita. Suas riquezas não podem ser contadas ou armazenadas, porque não há nada em qualquer universo que já não seja dele. Todas as coisas vêm dele, originando-se em sua criatividade e supremacia incomparáveis, e através dele, esperando momento a momento por seu poder nutritivo e sustentador, e para ele, revelando a altura e a profundidade de seu valor.

“A sua grandeza é insondável.” (Sl 145.3). Nosso Deus, como ele realmente é, submerge qualquer imaginação humana com admiração.

Bondade incalculável

Nós lutamos para compreender ou sentir a maravilha de Deus porque nossos corações são pequenos, não porque ele e o seu amor são. Ouça Paulo esticar nossa linguagem para tentar descrever a bondade ilimitada e sempre crescente de Deus:

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. (Ef 2.4-7)

Rico em misericórdia. Grande em amor. Imensurável em graça e bondade. Esse é o Deus que nós somos tentados a considerar pequeno, chato, desinteressante. Mesmo que tenhamos caminhado com Jesus por décadas ou mais, nós apenas começamos a sentir o aroma do banquete que um dia encontraremos no céu.

E mesmo quando estivermos lá há dez mil anos, tendo visto a bondade por dez mil anos, cada um preenchido com suas próprias memórias e experiências de Deus, ainda teremos apenas mergulhado a ponta dos pés em tudo que ainda veremos dele.

Cada vez melhor

A maravilha, porém, não é apenas que Deus excede todas as nossas expectativas, sonhos e anseios, mas que em toda a sua glória, ele escolhe nos amar e nos salvar – pequenos, insignificantes, desafiadores, mortos. O Deus que dá vida, desafia a morte, gira o mundo e cria uma galáxia, salva aqueles que estão entediados com ele.

Por que um Deus de santidade infinita, justiça infinita, poder infinito, amor e misericórdia infinitas, glória infinita, desceria para ressuscitar e redimir pessoas como nós? Porque ele não fica feliz apenas em ser incomensuravelmente gracioso e bondoso. Ele quer mostrar o quão gracioso e bondoso ele é – uma graça e bondade incalculáveis. Vamos traçar os fios do seu amor pela eternidade, com visões emocionantes e gratificantes a cada passo, e ainda assim, nunca encontraremos o fim. Nunca.

E isso nunca é tão libertador e estimulante quanto qualquer palavra em nosso idioma. Saber que Deus só ficará melhor, mesmo do outro lado do pecado e da morte, nos liberta para aprender e desfrutar dele tudo o que pudermos hoje e todos os dias que ele nos dá.

Devocional Original: Voltemos ao Evangelho.

você pode gostar também Mais do autor