Sofra com Esperança

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Eu frequentemente digo às crianças da nossa igreja — desde os que estão no jardim de infância até os estudantes do ensino médio — que eles pensam que vão viver para sempre, mas eu fielmente adiciono, “Vocês não vão!” Na verdade, eu digo, vocês vão morrer, e vocês podem inclusive sofrer fisicamente antes de morrer. Vocês com certeza sofrerão emocionalmente. Todos nós sofremos de alguma maneira em algum momento das nossas vidas. Nós podemos sofrer com dificuldades físicas, com a falta de bens materiais e/ou com problemas emocionais, e isso às vezes ocorre por causa da nossa fé. Nosso Senhor disse: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33). Aflições incluem o sofrimento.

Eu vi minha piedosa mãe sofrer de muitas formas, muitas vezes emocionalmente conforme ela criava três filhos que nem sempre andavam nos caminhos do Senhor. Eu a vi sofrer com a morte do meu maravilhoso pai, seu marido por cinquenta e oito anos. Finalmente, eu a vi sofrer a perda da sua saúde e mobilidade, e, finalmente, as dores do câncer. Enquanto passava por tudo isso, seu refrão para mim era simples: “Eu confio no Senhor, filho.” Isso não era uma frase feita derivada de um pietismo. Isso era a fé falando. Isso era real, e isso a ajudou a viver uma vida exemplar — uma resolução paciente, uma disposição doce e um anelo por seu Salvador — através de todo seu sofrimento que impressionava a todos. Ela vivia com a esperança do céu e de Cristo, e isso era real. Todos seus filhos, netos e bisnetos se lembrarão da disposição confiante da Vovó durante todos os tempos difíceis enquanto nós vivermos. Ela vivia com a bendita esperança do seu Senhor e Salvador Jesus Cristo (Tt 2.13).

Dois anos atrás, os médicos nos disseram que nosso filho de dezenove anos tinha “um crescimento no seu cérebro.” O “crescimento” acabou sendo um abscesso do tamanho de um ovo de peru. Aconteceram três cirurgias em uma semana. Uma quarta cirurgia veio um mês depois devido à falha de uma medicação. Na noite do diagnóstico inicial, eu tive aquela “conversa” com nosso filho. Eu perguntei se ele entendia o quão sério isso era. “Sim,” ele disse. Eu disse, “Eu sei que você deve estar assustado, porque sei que eu mesmo estou.” Ele disse: “Pai, nós confiamos no Senhor para todas as outras coisas. Podemos confiar nele agora.” Eu chorei e disse, “Amém.” Então ele disse, “Eu vou ficar bem, não importa o que aconteça, pai.” Eu não vou dizer que a minha fé e a da minha família era forte o suficiente para mover uma montanha naquela noite ou durante os meses seguintes. Ela era fraca. Quão frequentemente eu orei, “aumente a minha fé, Senhor Jesus,” e ele aumentou. Às vezes um pouco; às vezes um pouco mais. Nós esperávamos no Senhor e o Senhor era tudo que precisávamos. Ah, aliás, o Senhor poupou nosso filho e ele acabou de se graduar da faculdade e está indo para a pós-graduação. Mas mesmo se ele não tivesse poupado nosso filho…  louvado seja o Senhor pela esperança que temos em um Deus soberano.

Para os meus leitores jovens, minha mãe tinha oitenta e cinco anos. Você esperaria que ela sofresse e morresse. Mas meu filho tinha dezenove anos, e ele sofreu (e ainda precisa tomar uma medicação que tem efeitos colaterais). Ele poderia ter morrido tão facilmente. Mas o ponto é esse: você pode enfrentar o sofrimento — aqueles valentões da escola, aquelas críticas de estilo dos seus “amigos,” aquelas disputas de relacionamento com melhores amigos, o câncer, abscessos cerebrais — com o seu melhor amigo sempre ao seu lado. Isto é, se o seu melhor amigo é Cristo Jesus. “Há amigo mais chegado do que um irmão.” (Pv 18.24) e Jesus diz ser esse amigo — “tenho-vos chamado amigos” (Jo 15:15). Ele é a nossa esperança.

Minha mãe tinha essa esperança porque ela conhecia o Salvador, Jesus Cristo. Sua fé estava somente nele. Meu filho tinha essa esperança nos seus sofrimentos porque ele conhece o Salvador, Jesus Cristo. Ambos conheciam as suas Bíblias e a promessa da esperança que temos no Senhor Jesus Cristo. Ambos frequentavam os cultos fielmente e absorviam os meios de graça — Palavra, oração e sacramentos. Eles amavam e apreciavam a comunhão dos santos encontrada na sua igreja. Esperança — não mero “eu acho”, mas esperança genuína — não acontece do nada. Ela é cultivada e vivida pela fé em Cristo somente. Preparem-se bem, jovens amigos, para os sofrimentos adiante, de modo que vocês possam glorificar a Deus com a sua vida esperançosa, mesmo em tempos difíceis.

Devocional Original: Voltemos ao Evangelho.

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