Quem vale mais: homens ou animais?

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Em julho de 2015, uma tempestade em Tiblisi, capital da Geórgia, inundou a cidade. A inundação atingiu o zoológico e vários animais morreram, mas alguns fugiram; dentre esses, leões, tigres, panteras e lobos. Um dos tigres atacou e matou um homem no centro da cidade. Logicamente, os policiais tiveram que matar as feras soltas.

A notícia por si só é chocante. Mas fiquei mais chocado com o comentário de uma pessoa em uma reportagem sobre o ocorrido, que criticava o fato de os animais ficarem presos para diversão humana (até aí é uma boa discussão), e agora eles serem mortos “injustamente”. Por causa disso, ela desejava que os seres humanos fossem extintos para proteger os animais da extinção. Ou seja, para ela, todos humanos deveriam morrer, para os animais viverem tranquilamente.

A Bíblia nos orienta a cuidarmos bem dos animais.

“Os bons cuidam bem dos seus animais, porém o coração dos maus é cruel.” (Provérbios 12:10)

Uma das primeiras ordens de Deus a humanidade é administrar bem o restante da criação, incluindo o cuidado com os animais:

“Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”.” (Gênesis 1:27-28)

Mas o que tem acontecido é uma supervalorização da vida animal (e vegetal, mas essa é uma outra discussão), colocando seu valor acima da vida humana, como no comentário mencionado acima. Veja o que Jesus disse:

“Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?” (Mateus 6:26)

Alguns chegam a condenar o uso de animais como alimento! Mas foi Deus quem permitiu tal prática:

“Todos os animais da terra tremerão de medo diante de vocês: os animais selvagens, as aves do céu, as criaturas que se movem rente ao chão e os peixes do mar; eles estão entregues em suas mãos. Tudo o que vive e se move lhes servirá de alimento. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas.” (Gênesis 9:2-3)

Não ignoro o fato de homens torturarem animais com o propósito de diversão ou lucro. Creio que qualquer cristão sério entende que isso é errado.

Também compreendo a afeição que podemos desenvolver por animais. Na minha infância tive um coelho que depois virou prato de restaurante chique. Imagine o quanto sofri quando descobri o destino do meu coelho!

Existem estudos científicos comprovando os benefícios de ter um animal de estimação. Podemos ter animais de estimação, e cuidar bem deles, mas devemos tomar cuidado com a inversão de valores!

Temos investido financeiramente mais em animais ou em pessoas? Temos afeição maior a bichos ou a humanos? Somos mais sensibilizados por cachorros abandonados ou seres humanos vivendo na rua? Estamos dispostos a esforços sacrificiais para que cachorrinhos sejam adotados, mas não ligamos para o número de crianças em casa de transição?

É mais fácil amar um animal do que outro ser humano. Animais dificilmente desafiam nosso orgulho e egoísmo como acontece com relacionamentos humanos. Por isso o evangelho é mais evidente em relacionamento com pessoas do que com animais!

No mundo onde Deus e Sua Palavra são ignorados, a tendência é essa. A inversão de valores é algo natural do pecado. Mas, como cristãos, precisamos lutar contra essa tendência. Jesus pagou um alto preço pela redenção do ser humano. Pagarmos um alto preço para mantermos animais, à custa da miséria humana é algo muito perverso para quem conhece o evangelho.

Amemos os animais! Mas nunca os amemos mais do que a seres humanos!

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