Quando não parece que Deus é Soberano

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Alguns meses atrás, fui levado para uma sala de cirurgia. Duas enfermeiras começaram a esfregar vigorosamente meu peito com solução antisséptica, preparando-me para a cirurgia. Em alguns minutos, um cirurgião faria uma incisão em meu peito para implantar um aparelho salvador de vida. Eu precisava da cirurgia porque uma condição genética em meu coração me colocava em risco elevado de sofrer um ataque cardíaco fulminante. Meus braços e pernas foram completamente enfaixados; por isso, eu não podia me mover. Um tremor incontrolável tomou conta de meu corpo. A ansiedade começou a dominar meu coração. Lembro-me de que, naqueles momentos, tentei recordar tantas Escrituras sobre a soberania de Deus, sua providência e suas promessas de paz quanto fui capaz. Estava tentando me acalmar. Eu sabia que Deus era soberano. Tinha pregado sobre a soberania de Deus. Mas, naquele momento, eu não me sentia como se Deus estivesse no controle. Minhas emoções receberam o melhor de mim. Apesar de minha aflição naquele momento, a Palavra de Deus e suas promessas gloriosas inundaram meu coração atribulado. A paz de Deus, como um cobertor quente, fez sossegar a minha alma ansiosa.

Sem dúvida, Deus é soberano. Essa é uma verdade imutável apresentada em toda a Escritura. O Dr. R. C. Sproul nos lembrava frequentemente que “não existe nenhuma molécula dissidente solta no universo que talvez possa interromper os planos de Deus”.[1] Ele está em controle total de toda a sua criação. Nada opera independentemente de nosso grande Deus. Quando dizemos que Deus é soberano, declaramos que ele tem autoridade absoluta sobre toda a sua criação, que seu governo se estende sobre cada fenda e cada canto do que ele criou. Dizer que Deus é soberano significa que não há nada na vastidão do universo que possa frustrar seu governo ou sua vontade.

Em referência à supremacia de Cristo, Paulo lembrou aos crentes que residiam em Colossos: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste” (Cl 1.16-17). Tudo no universo, visível ou invisível, existe por causa de Cristo e para a sua glória. O universo não implode porque Cristo sustenta “todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). Essas realidades sublimes são elevadas demais para a nossa mente frágil compreender — mas, apesar disso, são verdadeiras. A soberania de Deus é o travesseiro sobre o qual descansamos nossa mente fatigada e nosso coração ansioso. É a verdade governante e central que garante ele fará tudo que determina fazer, que cumprirá todas as suas promessas.

Os eventos inesperados da vida acontece e colocam nossas emoções numa viagem de montanha russa. Nossa compreensão da verdade da soberania de Deus pode vacilar quando nossa vida parece estar espiralando, fora de controle. Quando as coisas não estão acontecendo de maneira satisfatória, como achamos que deveriam, ou quando somos afetados por uma crise, vacilamos em nossa confiança na soberania de Deus. Não estamos necessariamente duvidando de sua soberania, mas nesse momento as nossas emoções nos tentam a nos sentirmos como se ele não estivesse completamente no controle de nossa situação.

Permita-me encorajá-lo com alguns pensamentos sobre a grande bênção e consolo que a soberania de Deus proporciona quando você luta com sentimentos que o tentam a duvidar de que ele é soberano sobre a sua situação.

Suas emoções podem enganá-lo

Somos feitos por nosso Criador com uma enorme gama de emoções que fazem parte da experiência humana. Essas emoções são indicadores, semelhantes aos medidores no painel de instrumentos de nosso carro. As emoções nos dão uma leitura do estado de nosso coração. Podem revelar se estamos confiando em Deus. Sentimentos de dúvida, ansiedade ou frustração são indicadores de que nossa confiança pode estar no lugar errado. Nosso desafio, mesmo como filhos de Deus, é que nossas emoções estão vinculadas à nossa humanidade caída. Embora estejamos sendo conformados, cada vez mais, à imagem de Cristo (Rm 8.29), nossas emoções podem, às vezes, nos apresentar uma falsa realidade. Nos momentos em que nos sentimos como se Deus não fosse soberano, precisamos lembrar que esse sentimento é um indicador do que está acontecendo em nosso coração e não de que a soberania ou a providência de Deus diminuiu.

Sofrimento e provações têm um propósito

Porque Deus é soberano, nada em nossa vida é sem propósito. Sabemos que experimentaremos provações, sofrimento e circunstâncias desafiadoras. Quão terrível seria enfrentarmos essas coisas sem a segurança de que Deus está no controle delas e têm um propósito em permiti-las. Isso tornaria a tristeza e o sofrimento sem sentido. Infelizmente, muitos cristãos passam pela vida crendo nessa mentira.

A verdade é que não há que nos sobrevenha que Deus não possa usar para a sua glória e para o nosso bem. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). “Todas as coisas” significa todas as coisas. Significa as coisas boas e as coisas não tão boas. Todas as coisas estão sendo realizadas por Deus para levar-nos à conformidade com a imagem de Cristo e para a glória de Cristo. Somente um Deus soberano pode fazer isso. Essa é uma das verdades mais reconfortantes da qual podemos nos apropriar para colocar o nosso coração em descanso em tempos de provação severa.

Deus é glorioso

Quando suas emoções o levarem a hesitar, você deve reconhecer a soberania de Deus sobre toda a vida. Este lembrete provocará adoração e aprofundará suas afeições por ele. Desejaríamos adorar um Deus que não está no controle? Acho que você concordaria que um deus que não é completamente soberano sobre todas as coisas não merece nossa adoração. A. W. Pink escreveu: “Quem pode adorar esse tipo de divindade truncada e lastimável? Um ‘deus’ cuja vontade é resistida, cujos desígnios são frustrados, cujo propósito é anulado, não possui nenhum direito de ser Divindade. Por isso, em vez de ser objeto de adoração, ela nada merece, senão desprezo”.[2] Essa não é uma descrição de nosso Deus. O salmista declarou: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada” (Sl 115.3). Nosso Deus é supremo, soberano e digno de nossa adoração. Quando nossos sentimentos flutuam, e você perde o controle, focalize sua adoração em nosso grande e glorioso Deus, que está no controle.

Você passará por tempos em que você se sentirá como se Deus não fosse soberano, mas anime-se, santo de Deus, ele é. Não coloque sua confiança em sentimentos que o decepcionarão. Em vez disso, coloque sua confiança na realidade imutável da soberania de Deus.

Artigo Original: Voltemos ao Evangelho.

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