O salmo 23, a canção e a administração financeira

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A canção do Salmo 23 escrita pelo Projeto Sola[i] tem falado muito ao meu coração. Na verdade, esse salmo é um “queridinho” no meio cristão.

E, de fato, é um salmo maravilhoso, que demonstra o cuidado do Senhor para com Seu povo. Inevitavelmente nos deleitamos ao lê-lo, decorá-lo, estudá-lo. Trazemos à mente em momento difíceis, tanto para nós quanto para outros.

Mas o coro dessa música traz a seguinte letra: “Se o Senhor é o meu pastor, aquilo que eu não tenho eu não preciso”. Não tinha pensado por esse lado ao lê-la. Isso é, de certa forma, deleitoso e desafiador ao mesmo tempo.

Deleitoso, ao pensarmos que temos um Deus que nos conhece profundamente, e sabe do que precisamos. Ele é onipresente, onisciente e soberano sobre nossas vidas.

Entretanto, também é desafiador, pois entra a nossa responsabilidade em descansarmos nele e considerarmos como estamos agindo em nossa vida como um todo.

Algumas teologias discrepantes e teorias seculares tem, muitas vezes, nos afastado do nosso propósito principal.

As teologias discrepantes chegam de forma estrondosa, dividindo o meio cristão em X e Y. Há os que levantam a bandeira do erro mostrando o quão longe estão da verdade e aqueles que erram em não conhecer as escrituras porque convém ao seu coração idólatra.

As teorias seculares, muitas vezes, chegam de forma sutil, levando crentes a caírem nesses enganos sem até mesmo perceberem.

Atualmente a teologia da prosperidade tem-nos pego, tanto de forma estrondosa quanto sutil.

Os pilares dessa teologia estão amparados não somente nas riquezas, mas também no sucesso e saúde.

Vamos analisar esses pilares com base nessa frase: aquilo que não tenho eu não preciso:

Saúde: Devemos ter saúde perfeita, corpos maravilhosos, esculpidos por horas em academia.

No que tange a questão financeira, a indústria dos cosméticos tem criado em nós necessidades por traz de um marketing bem elaborado. Nos diz que não podemos envelhecer, criando cremes maravilhosos (e caríssimos) em contra ponto com a Palavra de Deus que nos mostra que ser ancião é alguém que deve ser respeitado e honrado devido a sua sabedoria. Conheço senhoras com peles lindas que usam um simples protetor solar para evitar as manchas de sol. Ah, e claro, não é um produto só que nos dizem que precisamos usar, mas vários, cada um com uma função. Pegue um lápis, papel e faça uma pesquisa de quanto sai isso por mês comparado há um protetor solar. É caro, muito caro.

A respeito das academias, obviamente que devemos cuidar dos nossos corpos para que eles possam ser produtivos para continuarmos a servir ao Senhor. Hoje não nos exercitamos como antigamente nos nossos afazeres diários. Então, faz-se sim necessário um tempo de exercitar o corpo. Porém, mais uma vez entra o marketing criando necessidades em nossas vidas, elaborando de tempos em tempos modalidades novas, que chegam com preços exorbitantes. Se você conversar com um educador físico honesto, ele vai dizer que são, muitas das vezes, variações de um determinado exercício. Não é difícil encontrar pessoas que pagam R$200,00 até 1 salário mínimo para a academia tal. Aí já entramos no outro quesito:

Sucesso: Se a festa de um ano do nosso filho não se parecer com um casamento, não nos satisfaz. Se não tivermos um celular caro, não nos satisfaz. Se não tivermos uma viagem internacional, viajar para a praia que fica a uma hora da nossa casa, não nos satisfaz. É assustador como a demanda por coisas e por querer mostrar a outros nossas posses e sucessos tem crescido, especialmente nas redes sociais. Nossa vida está cercada de necessidades criadas pelo mundo e pela teologia da prosperidade que fazemos até mesmo sem pensar, até mesmo sem ter dinheiro para tal.

Nesse último dia das crianças minha filha de oito anos perguntou: “sabe o que eu quero ganhar de presente?” Respondi: “o que, filha?”, já imaginando algo que ela viu em alguma propaganda. A resposta foi: “quero um copo de açaí”. Uau! Estou contando essa história para evidenciar que as crianças se satisfazem com coisas que as deixam felizes, muitas vezes custam pouco dinheiro ou nada. Nós é que nos preocupamos em dar um brinquedo “mega” fantástico, que custa mil reais e que vamos pagar em dez vezes. Afinal cem reais por mês não é quase nada. Esse é o nosso raciocínio. Mas o brinquedo custou mil reais, mil! Tem gente que vive com isso sustentando uma família por mês.

Riquezas: Essa chega fazendo um estrago em nossas vidas quando olhamos para as coisas desse mundo e pensamos: aqui está minha riqueza! E nos esquecemos de que tudo isso ficará aqui quando formos para a eternidade.

Todos esses pilares estão intricadamente ligados. Caminham juntos, de braços dados.

Fazemos coisas sem pensar por que estamos fazendo.

Queremos coisas sem pensar o por que estamos querendo.

Mas, o mais importante: temos perguntando ao Senhor qual é a vontade dele? Estamos querendo de fato saber qual é a vontade de Deus para nossa vida? Pois ela pode ser diferente do jeito que nosso coração quer. Saber onde Ele nos quer trabalhando, qual escola colocar nossos filhos, para onde devemos viajar nas nossas férias, como usar da melhor forma possível o dinheiro que nos é confiado.

Muitas vezes vivemos como ímpios, que sabem da existência de Deus, mas preferem fingir que Deus não está ali e viver a vida (e gastar o dinheiro) da maneira que lhe apraz. É duro, mas é verdade. Muitas vezes ignoramos a Deus quando tudo vai bem financeiramente. Não queremos saber a vontade daquele que tudo sabe!

E, quando não está, esquecemos de descansar na providência divina e nos desesperamos.

O Senhor sabe de tudo que precisamos. Tudo, sem exceção.

Para finalizar, quero deixar o final da canção do Salmo 23 do Projeto Sola, que diz assim: “aquilo que eu não tenho eu não preciso…desejar”.

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