O milagre incomparavelmente maior

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Milagre na Cela 7 tem sido um dos filmes mais comentados nesse período de isolamento social. A obra turca chegou na Netflix sem muito alarde, mas atraiu muita gente com a comovente narrativa de um pai com deficiência intelectual e a relação de muito amor com a sua filha. O filme é o que podemos chamar de “dramalhão”. Ele quer te ver chorar. E pelos relatos de quem assistiu, falta lenço pra tanta lágrima. Se você não assistiu ainda, pare de ler o texto agora mesmo. Pois, vem spoiler pesado por aí.

O que também marca os espectadores é o grande plot twist que há no filme. Quando todos pensavam que Memo havia sido executado, o roteiro nos diz que outra pessoa morreu no lugar dele. Yusuf, pelo que nos diz a trama, vive com um eterno remorso por ter matado a própria filha. O motivo não é tão claro, mas dá a entender que ele a assassinou por pensar que a filha tinha perdido a sua virgindade (perdido a honra), só que ele acreditou em um boato, o que lhe aumenta o sentimento de culpa.

Logo, o tal Milagre do filme foi que o Memo escapa com vida pelo plano dos presos e pela disposição vicária do Yusuf em morrer por quem ele sabia ser inocente. Pai e filha podem ter uma vida inteira pela frente por conta do ato quase inimaginável de alguém que pediu pra ser executado em prol de outro. Um desfecho bastante comovente. Por isso que Milagre na Cela 7 causa tanto frisson em quem vê. O filme toca o coração.

Mas me deixe fazer uma ponte teológica (pastores fazem isso, se acostume). Passado uns dias e refletindo sobre o desfecho que gerou a liberdade do Memo e devolveu a relação da filha ao pai, acabei associando o sacrifício de Yusuf com o de Jesus, obviamente fazendo a diferenciação entre ambos. Permita-me explanar aqui:

1. Yusuf vivia amargurado pela culpa e tinha vontade de morrer. Ter se voluntariado para a forca acaba sendo um ato de penitência, no qual jugava obter a libertação do seu sufocante remorso.

2. Memo era inocente, estava servindo de bode expiatório. Sua execução seria injusta, e portanto, Yusuf, culpado que era, e se sentia, busca morrer pelo justo.

Em comparação com o enredo do filme, no enredo da salvação Cristo é aquele que se sacrifica pelos homens e tal sacrifício é capaz de restabelecer a comunhão dos pecadores com o Pai. Só que aqui acabam as semelhanças. Diferente de Yusuf, Jesus era inocente, sem pecado algum. Ele não se dispôs a morrer por quem estava sendo injustiçado. Cristo Jesus deu a sua vida pelos injustos. Toda essa maravilhosa narrativa não é ficção. É real e seu efeito é muito, mas muito maior do que qualquer um consiga imaginar. O apóstolo Paulo pinta a cena da seguinte maneira:

“Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.” (Romanos 5:6-11)

Será que tal realidade é capaz de te comover? Choramos com um filme ficcional e recomendamos que outros assistam porque sabemos que tal experiência vai emocionar e trazer boas sensações. Contudo, quero te fazer refletir sobre o sacrifício real do Cristo que é real por pecadores reais: você e eu. Tamanho amor não pode ser elaborado por nenhum roteirista ou escritor. Nenhum sacrifício irá chegar perto da obra realizada por Cristo, que sendo Deus se faz homem para pagar por uma dívida infinita que nós, que pecamos, tínhamos com o Eterno.

A todos que, tal como eu, gostaram e se impressionaram com o Milagre na Cela 7, faço o convite para falar do maior milagre de todos, que é a morte da morte na morte de Cristo (obrigado, Owen). Morte esta que nos reconciliou com Deus. Mesmo passada a época pascoal, não podemos deixar de propagar e celebrar a cruz de Cristo, pois este milagre é o clímax do drama divino, ou seja, o ponto culminante e decisivo da história. Celebre este milagre. Deixe as lágrimas rolarem. Só não fique indiferente. E o mais importante: curve-se diante da Cruz, pois não lhe resta fazer mais nada a não ser aceitar que o seu lugar foi ocupado, para que você fosse liberto.

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