O Coronavírus e os pobres: Uma resposta em forma de Evangelho

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O mundo – especialmente para a maioria dos trabalhadores de baixa renda nos países do terceiro mundo – já é um lugar difícil o suficiente para se tentar sobreviver. Com orçamentos enxutos que mal conseguem sustentar acomodações decentes, uma dieta equilibrada ou uma educação adequada para os filhos, a vida é uma luta diária para muitas das comunidades mais pobres do mundo.

Nessas circunstâncias muito comuns, um surto como o Coronavírus, que complica ainda mais a vida, é algo mais do que indesejável. Mas é nisso que estamos atualmente.

Ansiedade, medo, pânico

O mundo inteiro está em uma situação de refém, com novos países, estados e regiões anunciando bloqueios todos os dias. Com a tensão alta e a ansiedade ainda mais alta, o pânico global é óbvio. E em um mundo de notícias instantâneas e uso constante das mídias sociais, as vozes que abordam essa pandemia estão aumentando a cada minuto. Estamos continuamente expostos tanto a informações úteis como a informações totalmente enganosas.

Especialistas médicos e agências governamentais, preocupadas em todo o mundo, estão trabalhando dia e noite para limitar a propagação deste vírus. As autoridades de saúde estão se esforçando para controlá-lo. E seus esforços estão sendo transmitidos ao mundo em tempo real. Como grande parte da população do mundo está trancada sob quarentena, o acesso a informações abundantes alimenta o medo, como o oxigênio alimenta um incêndio florestal.

Não me interpretem mal, um fluxo constante de informações não é de todo ruim. Precisamos de informações para tomar decisões sábias. E os cristãos devem orar para que os líderes de seus respectivos países tomem decisões que protejam as pessoas (1Tm 2. 1-4). Mas no final do dia, as pessoas ainda estão assustadas. Aterrorizadas. Em casos como esse, mais informações não tendem a acalmar os medos das pessoas. Tem o efeito oposto. A questão, então, é a seguinte: No que, ou em quem, ainda podem estar nossos medos? Isso é possível? E ainda mais importante: o que o evangelho tem para oferecer para um mundo assustado?

A raiz dos nossos medos

Uma das maneiras pelas quais o evangelho de Cristo aborda um surto global é confrontando a raiz de nossos medos. Como é que um vírus pode ter tanto poder sobre o mundo inteiro? A resposta simples é que a morte nos assusta. Tanto os grandes quanto os pequenos, os seres humanos, ao longo das gerações, provaram ser totalmente impotentes diante do gigante da morte.

É por isso que as pessoas têm medo – elas estão sendo confrontadas com sua própria mortalidade. Não é que o COVID-19 tenha nos tornado mais suscetíveis à morte. Ele simplesmente trouxe a dolorosa realidade da morte para a nossa porta. Diante de uma pandemia global, a morte se recusa a ser ignorada.

Mas o que esse medo da morte tem a ver com o Evangelho? Estou feliz que você tenha perguntado. É nessa situação de Davi e Golias que brilha o poder do Evangelho. É o que as Escrituras dizem sobre a missão de Cristo Jesus em sua vida, morte e ressurreição:

“Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.” (Hb 2. 14-15).

Você percebe isso? O diabo mantém as pessoas sob controle, mantendo-as em cativeiro pelo medo da morte. Tendo tentado a humanidade a pecar, o diabo age como acusador (Ap 12.10), exigindo que um castigo justo seja executado.

Mas louve a Deus, pois o diabo não tem a última palavra. O evangelho quebra as correntes desse medo controlador e atormentador da morte. Como? Ao nos dar um segundo Adão para nos levar à vida e à liberdade. Jesus Cristo compartilhou de nossa humanidade e, tendo assumido a morte, ele a venceu gloriosamente. O único homem que a morte não conseguiu – nem poderia vencer – foi Jesus. E através de sua morte substitutiva, Jesus subjugou o poder do diabo de atormentar o povo de Deus através do medo da morte.

Redefinindo a vida e a morte

Por meio do evangelho, Deus redefine o significado e a experiência da vida e da morte. Quer comamos quer bebamos, o evangelho nos dá o poder e a alegria de fazer todas as coisas para a glória de Deus (1Co 10.31). Portanto, procuramos honrar a Cristo com nosso corpo, seja pela vida ou pela morte – mesmo diante de um vírus mortal. Viver se torna Cristo, e morrer, lucro! (Fp 1. 20-21).

Agora, quando aplicamos essas grandes verdades ao atual surto, isso não significa que devemos ser descuidados. Devemos tomar todas as precauções necessárias para não contrair o vírus. Mas a motivação é radicalmente alterada. Em vez de sermos motivados pelo medo, somos fortalecidos pela fome pela glória de Deus. Ansiamos que sua honra se espalhe em nossas vidas, especialmente nestes tempos difíceis. E fazemos isso com uma tensão alegre, pois em nossos corações estamos ansiosos pelo dia em que finalmente estaremos para sempre com Cristo.

O Deus Soberano, o pecado, e um Salvador Sofredor

Por fim, o evangelho acalma nossos corações, revelando-nos o Deus Soberano que governa o universo. “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada.” (Sl 115. 3). O Senhor é que reina – não um vírus e nem o diabo – e as nações devem se alegrar com o que ele faz (Sl 97. 1). Esse Deus soberano sustenta todas as coisas por meio de sua poderosa palavra (Hb 1. 3). E Ele decreta todas as coisas que acontecem, com o único propósito de mostrar o fato de que ele é Deus.

Uma das maneiras pelas quais ele faz isso é nos humilhar, revelando nossa fraqueza, fragilidade e total incapacidade de controlar nossas vidas. Não é exatamente isso que esse vírus está fazendo? Até as superpotências do mundo reconheceram seus limites. Então, agora é um bom momento para reconhecermos nosso próprio desamparo. Devemos nos humilhar sob a mão poderosa de Deus. E devemos orar, com esperança e confiança, para que Deus detenha esse vírus. Pois somente ele pode fazê-lo.

Mas também podemos nos perguntar: se Deus é soberano, por que ele permite que tais pandemias devastem o mundo? Talvez nunca saibamos a resposta exata, mas o evangelho nos fornece todas as informações de que precisamos, destacando o tipo de mundo em que vivemos – a saber, um mundo caído. Quando tudo está bem no mundo, podemos ignorar essa realidade. Mas um surto global traz para perto de nossa casa, com força aterradora, a dolorosa realidade da vida em um mundo caído. Nosso mundo está sob o poder do pecado e de Satanás (1Jo 5.19), com seres humanos dispostos a apoiar o inimigo de Deus para difamar sua glória (2Co 4. 4).

E se duvidamos disso, o evangelho nos lembra do que fizemos ao santo Filho de Deus quando ele estava na terra. Nós o rejeitamos, negamos, traímos, torturamos, crucificamos e o matamos! E se dizemos que não estávamos lá para fazê-lo, o evangelho aponta para nossos pecados e confirma que estávamos.

Mas não para por aí. Isso nos lembra o que Deus, em sua misericórdia, fez para nos salvar e nos perdoar: “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” (1Co 6.11). E esta é a mensagem que nos foi dada para compartilharmos com todos que pudermos, especialmente aqueles cuja esperança está nesta vida.

Não tenhamos medo

Equipados com essa enorme verdade, como podemos ter medo? Nosso Pai dirige o universo, realmente achamos que ele se esquecerá do nosso estado? Ele opera todas as coisas para o bem daqueles que o amam e são chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28). Este vírus não faz parte disso?

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