Final de tarde na vida dela

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Era uma tarde morna de setembro, a primavera, fresca, destacava o colorido das flores do caminho. O mar, lá adiante, estava calmo, apenas pequenas marolas iam e vinham na areia cinzenta da praia. No horizonte o sol que se deitava indo iluminar o outro lado do mundo. Cena majestosa ver a enorme redondeza do sol laranja-vermelho-fogo sumindo no horizonte azul marinho. Muitas cores se misturavam naquela cena final do dia. Um cenário extasiante de um Deus criador que pinta o céu, o sol e o mar como lhe agrada.

Quando a tarde chega

Em algum momento entre os 50 e os 55 anos, aproximadamente, percebemos que o sol poente é a realidade de nossa existência. O entusiasmo pela chegada do verão vai se enfraquecendo, não há mais aquela energia formigando em nós dos desejos de dias ao ar livre cheios de atividades, cercado de pessoas, vozes altas e alegres. Nosso olhar inicia uma nova busca. Nossos anseios passam a ser pelos dias de calmarias, de vozes mais baixas, ritmadas, desacelerando. A multidão de rostos desconhecidos já não nos deixa tão perplexas e excitadas, nessa nova estação da vida a presença de poucas personagens nos oferecem tempo de deleite em conversas sinceras, sorrisos calmos, mãos estendidas. É como se um grande quebra-cabeças estivesse sendo finalizado em cima da mesa da sala de jantar. As peças unidas formando uma imagem final, completa (mesmo que faltem alguns personagens que ajudaram a montar o quebra-cabeças).

Flores e Frutos

A última parte que uma planta desenvolve é o fruto. Depois de florescer vem o frutificar e depois disso deixamos a semente para a próxima semeadura quando um novo ciclo de vida se inicia nas mãos de nosso Agricultor celestial.

Amada ovelha, você tem um dom concedido por Deus. Sim, todas temos dons. Alguns dons são bastante desenvolvidos outros menos. Essas habilidades que recebemos não são para nosso desfrute pessoal, são para servirmos umas às outras. Nossos dons além de servir têm que ser transmitidos de umas às outras, assim que a vida se renova.

Servimos com nossos dons e somos servidas com os dons das outras, assim funciona o Corpo de Cristo. Cristo, o cabeça, nos instrui para sermos cooperadoras no Corpo e nós passamos a instrução para as mais novas.

Ao contrário do mundo, pessoas maduras podem servir também na estação mais madura de sua vida. Isso é graça.

Ovelha, não desanimemos com o avanço da idade. Podemos avançar os anos com alegria de servir e de instruir outras a servirem com os dons que receberam. Esse é o tom das cores do Corpo de Cristo, começamos com os tons da primavera e continuamos com os tons outonais.

A fonte da vitalidade das filhas do Senhor não está em sua própria força, mas em Deus.

Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam. Isaías 40.31

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