Examinando nossas motivações

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Imagino sobreviver a um naufrágio em uma região remota do Pacífico Sul. Você chega à praia de uma pequena ilha e descobre que é o único sobrevivente. Uma mala flutua na praia e, dentro você encontra uma Bíblia. O que você acha: Você poderia “crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18) isolado de outros cristãos ou, nesse caso, isolado de outros seres humanos?

Sozinho em uma ilha, você pode aprender muito sobre Deus através da sua Palavra escrita, e seu amor por ele pode florescer. Mas há coisas sobre você em relação a Deus que você pode não aprender muito bem.

O apóstolo Paulo nos diz que as obras da carne incluem “inimizade, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas. . . e coisas semelhantes a estas” (Gl 5. 20-21). Por outro lado, “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. … E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (vv. 22-24). Se não houver mais ninguém por perto, não haverá ciúmes, inimizade, rivalidades, dissensões ou inveja. Também não haverá ninguém para testar sua paciência e ninguém para demandar bondade ou gentileza.

Sozinho em sua ilha, você pode examinar-se em termos de porque não ama a Deus de todo o coração. Mas é quando você não ama seu irmão, a quem pode ver, que começa a ver mais claramente sua falta de amor a Deus, a quem não pode ver.

Algumas coisas na vida só podem ser aprendidas no relacionamento com outras pessoas. É quando você percebe que não amou o seu vizinho como deveria que precisa perguntar: por que tive esse acesso de raiva? Por que sinto tanta inimizade contra essa pessoa? Por que tenho tanta dificuldade em amar, perdoar ou até ser gentil com alguém que me trata repetidamente com desrespeito? O que está motivando minhas respostas para as outras pessoas?

“Como águas profundas, são os propósitos do coração do homem, mas o homem de inteligência sabe descobri-los” (Pv 20.5). Sábio conselho, mas como ele descobre o propósito (motivos, razões) em seu coração? Respostas pecaminosas não acontecem sem um motivo específico. Sempre existem razões para as coisas que dizemos e fazemos, mesmo que não as vejamos com clareza. Essas razões não estão na superfície do poço e, portanto, não são fáceis de extrair. Elas correm lá fundo.

Quantas vezes você respondeu: “Eu não sei”, quando perguntado: “Porque você fez isso”? Mesmo quando tentamos discernir nossos motivos, é difícil ver o “pecado por trás do pecado” porque não somos examinadores imparciais. Devido ao profundo desejo de nos sentirmos bem conosco mesmos, não queremos olhar muito de perto os motivos que direcionam nosso comportamento.

Por fim, o único que nos conhece completamente é Deus. O salmista escreve:

“SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda” (Sl139. 1-4).

Em um certo sentido, esse salmo é tremendamente reconfortante: antes de eu nascer, Deus me conhecia. Ele me teceu no ventre de minha mãe. Ele determinou o número dos meus dias. Deus me conhece completamente. Nada na minha vida está escondido de Deus. Ele conhece o bem, o mal e o feio sobre mim, e ainda me ama.

Em outro sentido, o Salmo 139 é aterrorizante. Existem pensamentos, atitudes e desejos dos quais tenho consciência de que teria vergonha se outras pessoas conhecessem. As pessoas podem ver o que eu faço e ouvir o que digo, mas não sabem o que está dirigindo meu coração. Aliás, nem sempre eu mesmo consigo descobrir o que está dirigindo meu coração. Eu posso esconder o pecado interior de outras pessoas e até de mim mesmo, mas não de Deus. Ele me conhece completamente. Não há lugar no universo onde eu possa me esconder dele.

No entanto, mostrando extraordinária vulnerabilidade, o salmista convida a um exame minucioso de seu coração: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”. (vv. 23-24).

Nossa capacidade de enfrentar de maneira voluntária e honesta a verdade sobre nossos motivos depende do que realmente acreditamos sobre o evangelho. Cantamos: “Não permita que a consciência te faça hesitar nem pense ingenuamente que está capacitado. Toda aptidão que ele exige é sua dependência dele”.

Se sua consciência estiver enfraquecida pelo desejo de “se capacitar” – achando que a aprovação de Deus depende de você para se tornar aceitável – a integridade das motivações de seu coração será muito ameaçadora. A coragem de enfrentar a verdade sobre o seu coração cresce juntamente com a confiança na graça justificadora de Deus em Jesus Cristo. Se Deus é por você, quem será contra você (Rm 8.31)? Se nada em toda a criação pode separá-lo do amor de Deus em Cristo Jesus, isso inclui o seu pecado.

O convite, para examinar e conhecer o coração, deriva completamente da confiança no caráter de Deus. Ele é misericordioso e compassivo; longânimo e abundante em bondade (Sl 103. 8). “Se Deus é por nós”, não precisamos ter medo do que Deus encontrará em nossos corações. A busca não é para o seu benefício, mas para o nosso. Deus já conhece os motivos e desejos equivocados por trás do nosso pecado exterior. Deus nos mostra o que está dirigindo nossos corações, e nos leva ao arrependimento, para o nosso bem, que possamos ser libertados do poder de controle do pecado remanescente.

Devocional Original: Voltemos ao Evangelho.

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