Ensinando as crianças sobre seus belos corpos

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Eu estava em pé na frente do espelho, examinando uma nova roupa de banho que comprei on-line quando pequenos pés entraram saltitando no banheiro. Instintivamente, peguei minha toalha para cobrir meu corpo. Eu gostaria de poder dizer que era por modéstia, mas, verdade seja dita, meu desejo de encobrir nasceu da vergonha. Meu corpo, aquele que me levou a tantas aventuras, ainda me traz muita vergonha.

Desde que minhas meninas gêmeas eram pequenas, eu estava determinada a que nunca me ouviriam reclamar do meu corpo. Enquanto eu passava as noites embalando meus bebês, sussurrando promessas sobre a criação de um espaço seguro para elas honrarem os corpos que Deus lhes havia dado, eu não sabia quantas vezes eu mesma, sua própria mãe, quebraria essa promessa.

E, no entanto, ao estudar a teologia da personificação, percebi que nossos corpos são dádivas. Como escreve Gregg Allison, “Ser feito à imagem de Deus implica a personificação dos portadores dessa imagem. A encarnação humana, portanto, está de acordo com o desígnio divino”. Em outras palavras, ser portador de imagens requer um corpo.

Isso significa que algumas das coisas que eu odeio fazem parte do bom design de Deus.

Os corpos são criados por um Deus bom para seus bons propósitos. E embora esses corpos, como o resto do mundo, sejam afetados pela queda, Deus os usa para sua glória e nosso bem. Enquanto aguardamos o retorno de Cristo, aqui estão três maneiras de afirmar o bom desígnio de Deus para nossos corpos e transmitir uma imagem saudável do corpo a nossos filhos.

1. Use as escrituras como fundamento

É tentador comparar nosso corpo com as imagens que nossa cultura coloca diante de nós, mas a grande narrativa das Escrituras nos conta uma história verdadeira e melhor. Aqui estão algumas verdades que devem remodelar nossos pensamentos:

  • Deus criou homens e mulheres à sua própria imagem e nos chamou de muito bons (Gn 1.26–27, 31).
  • Somos chamados a apresentar nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Essa é uma forma de adoração (Rm 12.1–2).
  • Medimos a beleza não pelos padrões físicos terrestres, mas pelo caráter interior (1Pe. 3.3–4).
  • Cristo fará novas todas as coisas- incluindo nossos corpos. Embora nossos corpos atuais sejam afetados pela queda, um dia o próprio Deus nos dará corpos eternos (2Co 5.1–5).

2. Redefina o que é a beleza – e o que não é

À luz das passagens acima, devemos ensinar ativamente nossos filhos sobre nossos corpos e beleza.

Por exemplo, ao definir a beleza para nossos filhos, começamos com o “eu interior” (1Pe 3.3–4). Quando nossos filhos são gentis, generosos, graciosos ou perdoam, comunicamos o quanto são bonitos. Quando nossos filhos estão se divertindo, destacamos como sua alegria brilha. Quando vemos nossos amigos trazendo glória a Deus através de generosidade, perdão e fidelidade, proclamamos que estão trazendo beleza a um mundo destruído.

Ao mesmo tempo, não devemos fugir da estética. Quando um amigo chega à nossa casa e parece bem, nós o elogiamos. Quando nossa família ou amigos estão rindo, comentamos como seus sorrisos são lindos. Quando nossos filhos jogam futebol, dizemos que Deus fez suas pernas fortes, bonitas e rápidas. Quando eles se preparam para um evento especial, destacamos como eles são lindos. Em momentos comuns, quando ficamos impressionados com o quão belo Deus os criou, contamos a eles com a esperança de que nossas palavras soem verdadeiras quando o mundo lhes contar uma história diferente.

Enquanto o mundo ao nosso redor está reivindicando a beleza, a família cristã tem a oportunidade de resgatá-la. Podemos presentear nossos filhos com olhos para ver a beleza nos outros, reconhecendo as formas pelas quais outras pessoas refletem a bondade de Deus.

3. Demonstre respeito e cuidado com nossos corpos

Reconhecemos que nossos corpos são templos do Espírito Santo (1Co 6.19) e, portanto, cuidamos deles como presentes de nosso Criador. Não lamentamos por nossos cabelos, olhos ou nossa altura. Em vez disso dizemos palavras de gratidão ao nosso Deus Criador pelo modo como ele fez exclusivamente cada um de nós. E quando nossos corpos falham conosco, antevemos nossos corpos ressuscitados que um dia teremos (1Co 15).

Servimos de exemplo disso para nossos filhos cuidando de nossos corpos. Isso significa que lutamos contra a obsessão por comida ou exercício; pelo contrário, cuidamos de nossos corpos da forma correta que nosso corpo precisa. Isso significa que escolhemos descanso em vez de hiper produtividade. Escolhemos equilíbrio em vez de obsessão. Escolhemos a autodisciplina e a santificação, em vez de luxúria, gula e preguiça. E dependemos da ajuda de Deus para todas essas coisas, reconhecendo que somos criaturas finitas.

Medimos o valor de nossos corpos, não pela capacidade ou função. Em vez disso, vemos os nossos e os outros corpos como bonitos, porque fomos criados à imagem de Deus, e eles foram projetados para o nosso bem e sua glória.

Meu corpo trouxe crianças para este mundo. Sobreviveu ao trauma. Ficava ao lado dos amigos para que eles não ficassem sozinhos Ele escreveu inúmeras palavras em páginas e até correu maratonas. E, embora meu corpo carregue sinais visíveis da queda e se deteriore a cada dia, ainda é bonito porque reflete a bondade de Deus neste mundo.

Então, em vez de me envergonhar quando meus filhos olham com curiosidade o que o mundo chamaria de “áreas problemáticas”, espero que eu os aponte para Deus, o Criador maravilhoso que fará todas as coisas novas, incluindo meu corpo.

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