Deus da Palavra

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Que a Bíblia é a palavra de Deus é incontestável. São inúmeras as evidências que atestam isso. Seus ensinamentos são sem igual em nenhum livro secular, as várias profecias cumpridas, sua resistência aos inúmeros ataques ao longo dos séculos e o fato de ser o livro mais vendido e mais lido em todos os tempos. A importância da Palavra de Deus é tanta que o apóstolo João disse o seguinte: “ No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus (João 1.1)”. 

Poderia abordar muitos outros aspectos da Palavra de Deus, mas quero falar de uma característica pouco comentada a respeito desse livro maravilhoso – seu aspecto literário. 

A Bíblia é uma rica obra literária, visto que nela encontram-se presentes os mais variados tipos de textos: cartas (epístolas), narrativas, biografia, poesia (Salmos), epopeia, crônica,  provérbios, etc. É um verdadeiro filão da literatura em sentido estrito de “arte da palavra”. Na Bíblia sobejam figuras de linguagem (hipérboles, antíteses, metáforas, personificação, ironia, inversões, paralelismos, trocadilhos, as parábolas de Jesus…), enfim, é riquíssima no aspecto literário. Dizem alguns comentaristas que o livro de Jó é uma das mais lindas peças literárias que existe.  A Bíblia Sagrada é literatura pura do Gênesis ao Apocalipse. 

Uma das definições  de literatura é arte da  palavra, e  Deus é um artista incomparável, é só observar a natureza ou ler a Bíblia. A verdadeira literatura não só se preocupa com o que vai dizer, mas também em como vai dizer. Podemos observar uns poucos exemplos  em algumas passagens a seguir.

Quando um mestre da lei se aproximou de Jesus e disse que o seguiria por onde quer que Ele fosse, veja o que Jesus respondeu: Jesus respondeu: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar cabeça” (Mateus 8.20).

Ele poderia simplesmente ter dito: Eu não tenho nada, nem uma cama, nem um travesseiro, contudo usou uma linguagem poética para dizer a mesma coisa.

Sobre a ansiedade, a depressão e as preocupações do dia a dia, veja que lirismo usou o Senhor: Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?  E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;

E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer   deles.  Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com  que nos vestiremos? ( Mateus 6.26-31).

Quando Adão e Eva caíram, veja a sentença que pesou sobre eles e consequentemente sobre toda a humanidade (Gn 3.19). No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.

Creio que o Senhor amenizou o impacto do que aconteceria daí para a frente e, para isso, usou uma metonímia (a parte pelo todo: suor no lugar de trabalho) e um eufemismo para suavizar o fato de que agora o ser humano passara a ser mortal. O que Deus disse, em outras palavras, é que o homem agora ia trabalhar até morrer.

Antítese é a figura de linguagem que consiste em aproximar ideias apostas: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. ( Mt 5.37).

Veja que o apóstolo Paulo empregou nove antíteses em único versículo: 

2 Cor.6.7: Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, Por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; Como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo.

Poderíamos escrever páginas e páginas falando sobre as inúmeras figuras de linguagem empregadas nas Escrituras Sagradas, mas para finalizar quero mostrar a metáfora que Jesus usou no momento mais difícil da sua vida, quando se aproximava sua crucificação: Mt 26.39: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice!”. 

O Senhor é Deus de Palavra porque zela para que Ela se cumpra integralmente. É Deus da Palavra porque é o inspirador das Escrituras Sagradas, um Best-seller incomparável, único e eterno. É claro, não poderia ser diferente porque Ele é o criador da palavra (fala) do ser humano.

Ler a Bíblia é dialogar diretamente com Deus e conhecer cada vez mais o Senhor, pois Ele se revela por meio da Sua Palavra, Ele é a Sua Palavra. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (João 1).

Mário Quintana disse que o pior analfabeto é aquele que sabe ler e não lê. Poderíamos dizer também que o pior prisioneiro é aquele que sabe ler e não lê a verdade que liberta: a Bíblia Sagrada.

 

fonte:lagoinha.com

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