Cristianismo e Política x Estado e Igreja

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Qual deve ser a relação entre o cristianismo e a política? Qual é a medida adequada para um relacionamento saudável entre partes tão distintas? Qual deve ser a relação do Estado e a Igreja? Essas são perguntas comuns que encontramos em rodas de conversa de política. Um cristão que se posiciona em algum assunto político é imediatamente censurado por utilizar a “religião” como meio de defender um ponto de vista. É comum ouvir: “O Estado é laico”, logo, quaisquer argumentos que partam da premissa de princípios cristãos são invalidados. Nesse cenário, muitos cristãos se distanciam mais da política, sem entender que estão caindo em uma grande cilada.

A elaboração de leis e as políticas públicas implementadas nos âmbitos municipal, estadual e federal partem de princípios; de uma forma de pensar política daqueles que a elaboram e financiam. Isso significa que a política é regida por sistemas de pensamentos esculpidos para que se torne aplicável à população. Vale ressaltar que, na arena política, as ideias que agregam mais apoio tendem a ser colocadas em prática. O cristianismo pode e deve influenciar por meio dos princípios da Palavra, na orientação e elaboração de leis, elaboração e execução de políticas públicas. A censura aos princípios do cristianismo não se justifica, uma vez que outros princípios influenciarão a prática política.

E a laicidade? Não seria um bloqueio à influência de uma religião na dinâmica política de uma nação? Definitivamente, não! A laicidade do Estado é exatamente a preservação do direito da liberdade de expressão e a consequente influência desta sobre a própria política.

Quando se discute a relação de Estado e Igreja, precisamos entender que ambas são esferas independentes, e nenhuma deve se sobrepor à outra. O Estado não deve intervir nas decisões e nas manifestações de culto de quaisquer igrejas. Da mesma forma, a Igreja não deve impor ao Estado sua dinâmica de funcionamento. Catástrofes acontecem quando uma esfera se sobrepõe à outra. Exemplos podem ser observados na história da Igreja, quando o imperador Constantino (272-337 d.C) acumulou responsabilidades como governante do império e, ao mesmo tempo, exerceu controle sobre as decisões da igreja. Outro triste exemplo é a igreja sueca, que, até 1999, era totalmente subordinada ao Estado Sueco. Na atualidade, a igreja não é oficialmente subordinada, mas é regulada em uma série de ações pelo Estado. Uma consequência dessa sobreposição de esferas foi a recente decisão da igreja da Suécia em se proibir chamar Jesus de “Senhor” ou “Ele”, exatamente para se alinhar às ações do governo nas questões de gênero.

Devemos defender a independência de esferas, quando se trata de Estado e Igreja. Cada esfera tem sua missão designada pelo próprio Deus. Como Jesus mesmo disse: ”Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). Jesus fez uma clara distinção de esferas, evidenciando as diferentes naturezas. Todavia, quando falamos do exercício da política, desde a elaboração de leis até a execução e controle das políticas públicas, somos chamados a influenciar, sendo sal e luz.

Que a luz de Cristo possa brilhar por meio de cada cristão em todas as áreas da sociedade!

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