Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo

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Uma das primeiras rotas a ser escalada nos flancos nevados e gelados do Denali, o pico mais alto da América do Norte, é chamada de rota West Rib. A primeira subida foi abordada no The American Alpine Journal 1960 e na seção de esportes da edição de 13 de julho de 1959 da revista Time. A rota é relativamente segura, exceto pela aproximação, que passa por um vale glacial estreito e profundo entre Denali, à esquerda, e Kahiltna, à direita. Essas encostas constantemente geram avalanche de neve e gelo que descem ao vale, por isso, o vale ganhou o título “vale da morte.” Alpinistas geralmente sobem por esse caminho durante a noite pois as temperaturas mais frias tornam mais seguro fazê-lo.

Embora o antigo israelita não enfrentasse esses perigos frios, eles (como todos nós) enfrentaram muitas provações, tentações, tristezas e aflições durante a vida e, finalmente, esse último inimigo a ser conquistado: a própria morte. A jornada em direção à Terra Prometida celestial é repleta de riscos e perigos, e precisamos de um pastor para nos ajudar a chegar lá em segurança.

O pastoreio refere-se às atividades de pessoas que derivam sua subsistência primária de manadas ou rebanhos de ovelhas, cabras, gado, camelos, porcos ou burros. Quando Israel conquistou e se estabeleceu na terra de Canaã, eles se tornaram fazendeiros, mas não abandonaram o pastoreio. Eles desenvolveram uma economia agrícola e pastoral. Especialmente nas encostas semiáridas ao leste e ao sul das montanhas de Judá, os israelitas eram dedicados ao pastoreio.

Quais eram os deveres do pastor para proteger seu rebanho neste importante papel no antigo Israel? Mais imediatamente, ele tinha que fornecer comida e água, certificando-se de que o rebanho não pastasse excessivamente em uma determinada área. Ele tinha que dar descanso. Ele tinha que proteger seu rebanho de predadores, tanto animais selvagens (lobos, ursos, leopardos e leões) e até seres humanos (ver Jó 1.14-15). Ele tinha que proteger seu rebanho contra outros perigos também, incluindo os ventos quentes muito destrutivos e fortes, bem como doenças e até mesmo a natureza severa do próprio deserto.

Esse conceito de pastoreio foi estendido metaforicamente e aplicado a reis no antigo Oriente Próximo. A tradição de um governante-pastor vai tão longe quanto a história escrita. Considere, por exemplo, Hamurabi, o famoso rei dos amorreus cujo código de leis é encontrado no museu do Louvre, em Paris. Seu código é um bom exemplo de linguagem pastoral aplicada aos governantes. No prólogo, declara:

Anum [o deus supremo em seu panteão] e Enlil, para dar boa carne ao povo, eles me nomearam. Eu sou Hammurabi, o pastor, chamado por Enlil que amontoa riqueza e abundância, provedor de tudo, vínculo do céu e da terra.

Esse código de leis comunica uma tremenda preocupação pela justiça. É óbvio que Hamurabi se considerava o rei ideal que pastoreava o povo e executava a justiça em favor deles.

A figura do pastoreio também foi estendida aos reis e governantes de Israel. Os líderes de Israel eram também continuamente chamados de pastores. No entanto, os governantes de Israel ficaram muito aquém de suas obrigações repetidas vezes (por exemplo, Jr 23). Mesmo assim, a imagem de um pastor também foi aplicada ao próprio Deus (por exemplo, Os 4.16). Ao longo da história da redenção, tornou-se cada vez mais evidente que Deus levantaria um pastor que executaria fielmente a justiça, protegeria suas ovelhas, as guardaria e cuidaria delas, colocaria curativos em suas feridas e as levaria a lugares tranquilos.

Esse é o grande conforto que o Salmo 23 traz. Embora o salmista não tenha enfrentado um potencial golpe mortal das avalanches de neve e gelo acima de seu lado direito e de sua esquerda enquanto atravessava o vale da sombra da morte, ele enfrentou muitos perigos, assim como nós: angústia física e mental crônica e doentia, dificuldades econômicas, preocupação e ansiedade em relação aos entes queridos, inimigos de fora e de dentro, várias formas de traição e perda. No entanto, o salmista afirmou e sabia que o Senhor, seu divino Pastor, estava com ele em tudo isso. Ele estava confiando em um pastor majestoso que estava com ele e em um maior que viria, que atuaria como nosso Pastor “sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos”. (Breve Catecismo de Westminster. Pergunta 26). Portanto, ele podia ser valente e ter coragem para enfrentar as dificuldades e aflições da vida, porque o Senhor estava com ele.

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