Artes e mídias transformadas e transformadoras

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Deus é o Deus da Beleza! Deus é o Deus das Artes (Hb 1.10)! “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.1-3). Tudo o que Deus criou é bom, é lindo, tem forma, cor e estilo perfeitos. Ele criou todas as coisas para que Ele mesmo fosse revelado e deu ao homem criatividade para, como Ele, criar, celebrar Sua criação e disseminar a cultura do Reino através de esculturas, palavras, músicas, movimentos, pinturas e histórias (Rm 8.19-22). Toda arte e comunicação criadas com esses propósitos engrandecem e alegram o coração de Deus, independentemente do local em que são apresentadas, expostas, promovidas.

Na Palavra de Deus, há diversos exemplos do emprego das artes para revelar Deus e Suas leis, promessas e maravilhas. Adão foi a primeira escultura do mundo, formado por Deus a partir do pó da terra (Gn 2.7). A primeira ópera – história em forma de música –foi criada por Moisés para lembrar os israelitas dos princípios morais, civis e religiosos que deveriam seguir (Dt 32). A mímica judaica era amplamente empregada pelos profetas, como Jeremias e Ezequiel, para comunicar sua mensagem (Jr 13.1-4; 25.15-38; 51.62-64; Ez 3.26-27; 7.23-27; 24.12-23; 37.1-25). O livro de Cantares de Salomão consiste em uma narrativa alegórica. A vida de Oséias foi um teatro profético vivo (Os 12.10). Jesus foi o maior contador de histórias em Seu tempo, usando parábolas a fim de ensinar verdades sobre o Reino para o povo (Mt 25.1-13; Lc 15.11-32; 16.1-9).

Depois de Cristo, surgiram renomados artistas cristãos que revelaram Deus e celebraram Sua criação por meio das artes. Rembrandt, um dos maiores nomes da história da arte europeia e o mais relevante da história holandesa, tornou-se o pintor mais importante de temas bíblicos. Martinho Lutero, principal líder da Reforma Protestante, transformou uma canção popular de bares em um dos hinos mais cantados no mundo: Castelo forte é nosso Deus. John Sebastian Bach e George Frederick Handel, compositor de “Messias”, utilizaram, de forma inédita, temas bíblicos para composição de suas músicas. C. S. Lewis, romancista e crítico literário, traduziu a mensagem do Evangelho em ficções científico-religiosas, conhecidas em todo o mundo. Hollywood, a mais poderosa indústria televisiva e cinematográfica do mundo, produzia filmes e programas de televisão exclusivamente cristãos nas primeiras décadas de sua existência. Os roteiros eram lidos por representantes católicos e evangélicos e, somente se aprovados, os filmes e programas eram produzidos.

Enquanto nosso criador (Gn 1.27), Deus nos deu criatividade para multiplicar a beleza de Sua criação e revelá-Lo por meio das artes. Tudo criado, seja pelo desenho, pintura ou escultura, seja com palavras, expressões corporais ou movimentos, deve servir a esse propósito para ser belo, agradável, positivamente impactante e enriquecedor. Pelas artes, valores e crenças são expressados, e culturas, influenciadas e criadas.

Nós cristãos temos, porém, abandonado progressivamente o governo das artes e mídia em nossa nação. Temos sido negligentes na promoção de artes que revelam Deus e celebram Sua criação. Temos nossas músicas, teatros, danças e livros “religiosos”, mas não temos nos infiltrado nas empresas desse ramo e/ou direcionado nossa arte para o público que não conhece e serve a Cristo. No mundo da pintura e escultura, temos reclamado e lutado contra exposições com conteúdo pornográfico e abusivo financiadas pelo dinheiro público, mas não temos incentivado e ajudado os artistas cristãos a ocupar esses espaços com suas obras, nem a assumir posições de direção em museus e galerias de arte.

Semelhantemente, o mercado literário está completamente dominado por escritores com uma mentalidade secular-humanista, cujas obras disseminam valores, ideias e propostas que em nada se alinham com os ensinamentos de Deus para as diversas áreas da vida. Além do mais, o conteúdo difundido pela mídia tem naturalizado posturas morais e discursos “politicamente corretos” contrários aos princípios e ordenanças cristãos.

A transformação do Brasil passa pela transformação das artes. Ou elas revelarão Deus e a cultura do Seu Reino, ou revelarão o Império das Trevas e a morte. O resultado depende do modo como nós cristãos compreendemos e empregamos, ou não, as artes enquanto instrumento de implantação da cultura do Reino de Deus em nossa nação.

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