3 mitos sobre discipulado

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Quando ouvimos a palavra discipulado, muitas pessoas pensam em um rigoroso ensino bíblico de um mestre muito capaz para um aluno novo na fé ou um crente imaturo.

Sim, é verdade que o discipulado envolve cada uma dessas áreas, porém ser um discípulo de Cristo envolve mais do que conhecimento teórico das leis e doutrinas. Formar o caráter de Jesus em alguém é um trabalho árduo, que exige disciplina e disposição, regularidade e, principalmente, dependência do Espírito Santo.

Não é possível ser um discípulo de Cristo se a confiança não está em Jesus, que morreu por nós na cruz. É preciso conhecer o objeto da fé: Jesus. Quem ele foi enquanto andou por esse mundo, o que ele fez, como ele viveu, morreu e ressuscitou. Para isso precisamos de nossa mente: pensamentos e imaginação.

A fé começa pelo conhecimento do evangelho. Conhecimento tem como premissa a razão, mas não apenas isso, também aprendemos com nossos afetos. O discípulo de Jesus é alguém que confia no evangelho para a salvação de sua alma e quer que outras pessoas, assim como ele, também confiem no evangelho.

O discípulo está ocupado em fazer outros discípulos porque entende que o Reino de Deus tem que ter uma embaixada com diplomatas preocupados em formar outros embaixadores para o Reino. O discípulo de Jesus é engajado com outros discípulos porque fazem parte de uma nação santa e trabalham corporativamente por essa nação.

Apesar de sermos discípulos e sermos chamados para discipular e nos aconselhar uns aos outros, muitas mulheres cristãs têm hesitado em iniciar o discipulado.

Aqui listamos 3 mitos que têm impedido ou protelado a iniciativa das mulheres em começarem um discipulado.:

1. Esperar a crise para iniciar o discipulado

As pessoas têm vidas absolutamente ocupadas e por isso deixam de se preocupar com as coisas mais importantes, aquelas coisas que nos conduzem à vida eterna. O discipulado, caminho escolhido por Jesus para formar homens e mulheres que fossem capazes de difundir seus ensinamentos, é negligenciado nas igrejas por falta da cultura de transmissão de conhecimento através dessa forma de relacionamento. Parece mais cômodo que seja passado o ensino de quem é Cristo e de como viver como um discípulo através de conceitos, doutrinas e ensinos sistematizados.

Jesus, porém, nos mostrou uma forma peculiar de ensinar: ele se relacionou com seus discípulos. Andou com os discípulos em seu dia a dia. Comeu com os discípulos. Foi a casamentos, enterros, resolveu problemas de trabalho (a pescaria de Pedro) e assim os discípulos puderam aprender como pensar, agir e reagir na prática da vida.

O ensino que Jesus praticou gastava tempo, energia e amor, muito amor. Não bastou dizer a Pedro que ele iria negá-lo naquele mesmo dia em que conversavam, não, não bastou. Jesus andou com Pedro, trabalhou com Pedro, comeu com Pedro, mostrou a Pedro como o amor atua nas situações de extrema angústia e medo. Fez Pedro viver na pele situações de falta de fé. Jesus transformou Pedro em um verdadeiro pescador, um pescador de almas humanas. Pedro teve que confessar seu amor por Jesus, mas não de qualquer forma, antes Jesus o questionou de uma maneira que Pedro pudesse pensar em seu amor por Jesus, pudesse arrepender-se de tê-lo negado, pudesse entender que sem amor (o verdadeiro amor) ele não seria capaz de seguir Jesus e ainda de cuidar de seu rebanho.

Jesus nos mostrou que o discipulado deve acontecer no tempo ordinário, pois quando as situações extraordinárias de crise acontecem, geralmente, o discipulado envereda por resolver a crise em vez de forjar no discípulo o caráter de Cristo. Muitas vezes a crise ofusca o verdadeiro foco do discipulado: glorificar a Deus com o nosso viver e todo o esforço se dirige para dar conforto e consolo para que a pessoa pare de sofrer com a crise.

2. Esperar um momento extraordinário acabar para dar início ao discipulado

Momento extraordinário é um tempo de acontecimentos fora de sua rotina. Esse momento exige que outras prioridades sejam trabalhadas (ou aprimoradas) na vida da pessoa (gestação, maternidade, noivado, casamento, doença, luto, etc.).

Muitas vezes não se inicia o discipulado porque a pessoa está em uma fase da vida que exige atenção em outras prioridades. No entanto, talvez essa fase específica e especial pode ser justamente o momento oportuno para serem trabalhadas áreas da vida cristã que ficariam negligenciadas em momento ordinário da vida. Ou seja, o discipulado pode ser iniciado em todo e qualquer momento da vida de um cristão.

Os tempos extraordinários da vida podem ser aproveitados e para isso a discipuladora pode fazer uma adequação dos ensinos. Transmitir Cristo, seu caráter e seu amor deve ser a base do discipulado. Todo discípulo deve ser moldado a Jesus Cristo.

3. Focar o discipulado para apenas resolver os problemas pontuais

O discipulado não deve estar focado apenas em resolver alguma questão circunstancial. O discipulado não deve estar focado nas circunstâncias, mas deve estar centrado em uma mudança permanente do coração. Muitas vezes a reação a uma determinada circunstância revela o padrão de resposta de uma pessoa. Esse padrão sendo reconhecido poderá ser substituído por um padrão bíblico e para uma mudança permanente.

Geralmente nas grandes crises da vida é que o discipulado é oferecido. Um casamento se desfazendo, um filho rebelde, uma situação crítica no trabalho, uma doença grave. Sim, é bom que possamos andar com os que sofrem e apoiarmos as pessoas que por alguma demanda estão em situação vulnerável.

O problema nesses casos geralmente acontece quando o discipulador foca no problema que está roubando a paz do discípulo em vez de seguirmos apontando para Cristo e sua suficiência em todas as situações da vida. Quando ganhamos o formato de Cristo pelo discipulado temos condições de fazermos mudanças permanentes que vencem as crises e permanecem como novo padrão.

Se você está sendo treinada em se tornar uma discípula de Jesus, terá sua mente e coração conformados a Cristo. Isso significa que quando uma crise iniciar em sua vida, você já estará apta a pensar e agir como Jesus.

Quando você vai iniciar um discipulado?

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