21 maneiras de se envolver com o cuidado dos órfãos

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Por que adotar crianças?

Eu e minha esposa respondemos a esta pergunta da seguinte maneira: Nossa decisão deve ser conduzida pela teologia, não pela biologia. Afinal de contas, é a teologia de uma pessoa que determinará a sua biografia. O que cremos sobre Deus irá, inevitavelmente, moldar nossa maneira de viver.

Na teologia bíblica, vemos que a adoção nunca foi o “plano B” de Deus. Sempre foi o “plano A”. O propósito de Deus sempre foi adotar um povo para si. Ele é um pai adotivo. E a igreja é uma família adotiva de irmãos e irmãs.

Portanto, o processo de adoção terrena — para os cristãos — deve ser fundamentado na realidade de nossa adoção celestial. Fomos adotados por Deus e na8o temos nada em nós para merecê-lo. Não podemos reivindicar crédito algum. Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo; em amor Ele nos predestinou para a adoção (Ef 1.3-5).

Esta perspectiva deve produzir humildade em cada um dos filhos de Deus e transformar a forma como lidamos com o processo de adoção terrena.

Pratique a Palavra

A humildade é a tendência subjacente de qualquer ministério de compaixão. Devemos receber com mansidão a palavra implantada — o evangelho — à cada dia. É assim que somos sustentados e santificados. Devemos receber a palavra, valorizá-la e praticá-la (Tiago 1.22).

Se não “praticarmos a palavra”, então é questionável até que ponto nós a internalizamos. Imagine que eu instrua meus filhos a fazerem suas tarefas numa manhã de sábado — dando-lhes instruções cuidadosas sobre o que deve ser feito — e então chegue no final do dia perguntando se fizeram o que pedi. “Não papai, na verdade não fizemos as tarefas”, eles respondem. “Mas olhe! Fizemos um estudo aprofundado sobre aspirar pó, cortar a grama e tirar o lixo; até escrevemos este manual informativo sobre isto para outros lerem e curtirem!” O que acha que eu diria a eles?

Aqui está o meu ponto: no mundo de hoje, não temos escassez de informação; temos uma escassez de aplicação. É precisamente isto o que Tiago aborda em seu livro. Tiago estava preocupado que o povo de Deus não fosse apenas ouvinte da Palavra, mas também praticante (Tiago 1.22). Então, com efeito, ele diz: “Caso não entenda, deixe-me ilustrar para vocês”

“Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar”. (Tg 1.23-25)

Gosto realmente como Tiago chama as Escrituras de “a lei perfeita”, “a lei da liberdade”. As Escrituras nos libertam; elas não nos escravizam. Observe o que Tiago diz sobre quem pratica a palavra: “será bem aventurado no que realizar”. A bênção está no praticar, não apenas no ouvir.

Tiago diz que a Bíblia é como um espelho. A maioria de nós se olha no espelho todos os dias. Às vezes, não gostamos do que vemos, e identificamos mudanças imediatas que precisam acontecer. Da mesma forma, Tiago ilustra o propósito da Bíblia: à medida em que a internalizamos, seremos transformados.

Encantados e Transformados

Há muitas pessoas que ficam encantadas com a Bíblia, mas não são transformadas por ela. Têm uma certa admiração pela Palavra de Deus; talvez até tenham uma Bíblia grande em sua casa. Elas não a leem, mas fazem um tipo de “carinho” uma vez ou outra. Frequentemente se sentem encantadas, mas nunca transformadas.

Mas eis o fato importante sobre a Bíblia: ela nos mostra mais sobre nós mesmos do que um espelho jamais poderia mostrar. Ela nos mostra a realidade interna. E o propósito disto é que sejamos transformados.

Neste contexto, o livro de Tiago é profundamente instrutivo para nós. Em Tiago 1.26–27, o apóstolo nos dá três formas práticas de “praticar a palavra”: (1) uma língua controlada, (2) um ministério compassivo e (3) uma vida limpa.

Então, ele delineia o resto do livro segundo estes três tópicos. No capítulo 2, ele fala sobre compaixão, “amor ao próximo”. No capítulo 3, controle da língua. No capítulo 4, sobre mantermos-nos imaculados do mundo.

E devemos notar como Tiago une duas coisas que os evangélicos freqüentemente separam: a compaixão e a pureza. Tendemos a migrar para uma destas posições. Alguns grupos de cristãos se esforçam muito para não se mancharem pelo mundo, mas nunca levantaram um dedo pelos pobres. Outros grupos se doam pelo ministério social, mas não parecem preocupados com o que Deus diz sobre o casamento, por exemplo. Mas Tiago une os dois.

É possível ser centrado tanto na compaixão pública como na santidade pessoal. Precisa de um exemplo? Olhe para a vida de Jesus. Ele uniu estes dois aspectos perfeitamente. Ninguém foi mais santo do que Jesus e ninguém se importou com os pobres tanto quanto Jesus se importou.

O objetivo de Tiago é levar seu povo à maturidade. Ele nos ajuda ao destacar alguns dos pontos cegos que os cristãos às vezes têm. (Veja o livro “Blind Spots” [Pontos Cegos] de Collin Hansen, para saber mais desse assunto.)

Deus Como Pai

Portanto, o que é que Tiago diz afinal sobre cuidar dos órfãos? “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.” (Tg 1.27)

Observe que ele acrescenta as palavras: “e Pai”. Ele não precisava ter dito isso. Ele poderia apenas ter dito: “Religião pura e sem mácula para com nosso Deus. . . .” Mas Tiago quer enfatizar a natureza paternal de Deus. Por que nos importamos com os órfãos? Porque Deus é um pai para os órfãos. Isto é quem Ele é.

A palavra “visitar” também é repleta de significado, pois Tiago está se referindo a mais do que simplesmente “parar para conversar”.

Esta palavrinha aparece em pontos cruciais ao longo da história da redenção. Em Gênesis 21, Sara não podia ter filhos, então o Senhor “a visita”. Mesma palavra. No livro de Rute, o povo de Israel estava faminto. Então, o que Deus fez? “O SENHOR visitou seu povo” dando-lhe pão (Rute 1.6) ARC Em Lucas 7.16, Jesus vai à viúva de Naim, cujo filho morrera. Quando Jesus o traz de volta à vida e o entrega à mãe, o povo exclama: “Deus visitou o seu povo”.

Quando Deus visita as pessoas, significa que Ele está se envolvendo. Ele está intervindo. É isto que Tiago tem em mente. De fato, esta é a palavra grega da qual obtemos a palavra para “pastor”. Visitar o órfão é pastorear o órfão — envolver-se, identificar-se com ele, importar-se com o seu sofrimento. Não devemos fazer menos pelas viúvas em suas aflições.

Mas por que? Em última análise, porque isto é o que Deus fez por nós em nossa aflição. Ele veio nos visitar.

O Pulso do Evangelho

Jesus disse aos seus discípulos: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.” (João 14.18). Não somos superiores ao órfão, à viúva ou ao estrangeiro. Não, no evangelho nós somos os órfãos e Deus nos adotou; somos a viúva e Jesus se tornou nosso noivo; somos o estrangeiro sem pátria e herdamos o Reino.

Em última análise, o cuidado dos órfãos se trata de refletir o coração do evangelho. Fazemos tudo isso como um ato para honrar a Jesus, que nos amou e veio por nós. Por que nos importamos com os órfãos em suas aflições? Porque Deus cuidou de nós em nossa aflição. Ele nos tornou seus filhos e filhas.

Como, então, poderíamos fazer isto na prática? Eu concluirei com 21 maneiras.

21 maneiras de se envolver com o cuidado dos órfãos

1. Ore — “Pai, o que o Senhor quer que eu faça para ajudar com a crise dos órfãos?”
2. Comece pequeno — fale, leia, torne-se um voluntário.
3. Apoie boas organizações — tais como a 127 Worldwide.
4. Manifeste-se — os órfãos não são apenas impotentes como também não tem voz.
5. Esteja alerta e pratique a hospitalidade — cultive sensibilidade às necessidades que rodeiam sua vida agora.
6. Adote.
7. Torne-se um cuidador temporário.
8. Apoie outras pessoas no processo de adoção.
9. Cuide dos órfãos funcionais — aqueles cujos pais estão presentes fisicamente, mas não emocional ou espiritualmente.
10. Forneça cuidados práticos para pais adotivos ou pais de acolhimento temporário.
11. Financie adoções.
12. Supra as necessidades conforme é informado sobre elas.
13. Treine líderes.
14. Plante igrejas — plantar igrejas em lugares difíceis é uma das melhores maneiras de cuidar dos pobres e marginalizados.
15. Promover/apoiar a adoção de crianças vindas de seu próprio país.
16. Mude-se — vá morar entre os pobres e os órfãos.
17. Visite com propósito; tenha um plano.
18. Forneça assistência de transição conforme os órfãos atingem a maioridade e saem dos orfanatos.
19. Use suas habilidades vocacionais.
20. Lute contra o tráfico de pessoas.
21. Previna a orfandade — combata a pobreza e a educação precária, que muitas vezes perpetuam o colapso da unidade familiar.

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